Conhecer seu inimigos e “amigos”

Já analisamos o tipo pessimista, o arrogante, o desconfiado crônico, o passional e a “serpente ofendida”. Há muitos outros mais, e você precisa desenvolver instintos políticos aguçados para identificar e prever seu comportamento.
A serpente ofendida é uma das feras mais perigosas da selva política.
Como já se viu, alguns parecem inofensivos, mas podem se tornar extremamente perigosos (é o caso da serpente ofendida). Suas armas secretas, às vezes escondem-se por trás das aparências de fraqueza e inferioridade.
Outros há (como os tipos arrogante e passional) que já se apresentam com as garras à mostra, mas que nem sempre são tão perigosos.
Tanto aqueles que já foram descritos como os que serão apresentado nesta coluna existem e você terá que trabalhar com eles. É verdade que possuem utilidade e valor, mas também um alto nível de periculosidade.

A sabedoria do político está em:

saber identificá-los o mais cedo possível;
conhecer seus traços psicológicos e comportamentais;
suas manias, hábitos, preconceitos, obsessões e limites dentro dos quais operam;

Para evitar:

julgá-los pelas aparências;
criar expectativas que não se realizarão;
e ser surpreendido por comportamentos que não esperava.

Os tipos

O formalista leal – Este é um tipo interessante. Trata-se de um “catão”, sempre atento aos deslizes dos outros – inclusive os que você comete – rígido no aspecto moral e jurídico, obsessivamente apegado à legislação positiva, com uma verdadeira devoção aos princípios da hierarquia e da ordem. Por este último aspecto, tende a ser uma pessoa extremamente leal a seu chefe, assumindo a condição de seu protetor.
Como tal, ele será prestigiado por sua fidelidade e seu zelo protetor. No entanto, para os demais auxiliares, ele é encarado como um “chato”, um “empatador”, alguém que só vê dificuldades, ilegalidades e riscos nos projetos e planos deles. Você vai precisar de paciência para lidar com o formalista leal, que com seus hábitos protocolares, detalhistas e cautelosos torna-se enfadonho e cansativo. Mas atenção: ele pode ser muito valioso, pelo seu cuidado defensor. É uma pessoa que exige sua atenção, já que muito do que tem a dizer será revelado, sempre reservadamente, somente a você. Será necessário chegar a um acordo operacional sobre o grau de risco tolerável em suas decisões e nas de seus auxiliares. Embora convencional, ele deve possuir alguma maleabilidade capaz de moderar sua postura intransigente, a fim de combinar a necessária proteção com a imprescindível capacidade de correr riscos.
O inseguro- Ele vê perigo por todos os lados e hesita em decidir – e agir – para não correr riscos. O inseguro é sempre uma pessoa indecisa. Mantém uma tênue linha divisória com o desconfiado e o pessimista, empregando os argumentos de um e de outro para revestir sua insegurança com uma casca de prudência. É facilmente detectável, uma vez que tal traço de personalidade se aplica a todas as matérias – tanto nas de governo como nas pessoais, nas questões sérias e importantes e, também, nas banais e irrelevantes.
Não o designe para funções que exijam agilidade administrativa, capacidade de ação, iniciativa e criatividade. Pode ser um assessor útil, considerando que a insegurança exige que ele seja preciso e minucioso no trabalho que desenvolve. Trata-se não de uma qualidade profissional, mas de um defeito pessoal que pode, numa função de aconselhamento, se tornar uma virtude.

O otimista incurável – Bastante similar ao passional, difere dele por não ser monotemático. Enxerga tudo sob uma perspectiva positiva, sempre vê o “lado bom das coisas”, acredita que tudo é possível. Cuidado com sua capacidade de envolvimento. Ele administra doses generosas de “veneno doce”.
Muitos governantes têm “um fraco” por tipos como o dele. Afinal, no governo, são muitas as notícias ruins, incomodações, preocupações e crises. Assim, o otimismo é sempre bem-vindo. O problema é que, nas piores crises e dificuldades, você deve lidar com a realidade – por pior que ela seja – e não se “anestesiar” com sentimentos otimistas irreais. Deixe para aliviar a tensão depois que a dificuldade tenha sido superada.
O otimista incurável é um guia que o conduz para a ilusão, a fantasia, o mundo dos desejos. Haverá ocasiões em que seu comportamento será razoável, mas será por acaso, e não resultado de uma análise objetiva. Por isso, ele é qualificado como incurável. E, também, para diferenciá-lo daqueles que, pela avaliação direta e realista, chegam a uma visão afirmativa do quadro político e a uma projeção otimista para o futuro.
Em síntese, os principais tipos que você vai encontrar na “selva” política, para usar outra analogia, formam uma equipe de futebol que dispõe de atacantes (o arrogante, o otimista incurável, o passional), mas também de muitos zagueiros (o inseguro, o desconfiado, o formalista leal e a serpente ofendida). Você deve estar pensando “quem ocupa, então, o meio de campo?”. É você, que é, ainda, o técnico e o capitão do time.
É você quem deve saber como “escalar” a equipe – tirando proveito do melhor de cada um – e providenciar a “cobertura” para as falhas, além de conceber a estratégia e os movimentos táticos para o jogo. É você quem deve ligar a defesa e o ataque, manter o moral do time e conseguir, com o plantel que dispõe, marcar os gols que lhe darão a vitória.

Francisco Ferraz

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